sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Não deixe o cine Belas Artes fechar (12/01/2011)


NABIL BONDUKI

Milhares de paulistanos estão contra o fechamento desse cinema porque se sentem ligados ao local, que é uma referência cultural e urbana

A mobilização que a notícia do fechamento do Belas Artes gerou fala por si só: o cinema é um patrimônio da cidade de São Paulo.

Seu desaparecimento seria a perda de um pedaço de nossas vidas e criará uma lacuna que São Paulo, tão desprovida de memória e de lugares significativos, não pode deixar acontecer. Milhares de paulistanos estão contra esse crime porque se sentem ligados ao local, uma referência cultural e urbana.

Não se trata de preservar a arquitetura do edifício, mas seu uso, sua importância como ponto de encontro e espaço de debate cultural. A noção contemporânea de patrimônio é clara: a comunidade, além dos especialistas, tem um papel fundamental na identificação dos bens culturais a serem protegidos.

A noção de patrimônio mudou muito desde que o Estado Novo, por meio do decreto-lei nº 25/1937, criou o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e instituiu o tombamento. Na época, prevaleceu uma visão restrita, voltada para os bens com valor arquitetônico e artístico, chamada de "patrimônio de pedra e cal".

Nessa concepção, os critérios utilizados para a seleção dos bens a serem protegidos eram os de caráter estético-estilísticos, excepcionalidade e autenticidade, valorizando a arquitetura tradicional luso-brasileira, geralmente edifícios isolados, produzida no período colonial.
O foco era a criação de uma identidade para fortalecer a construção do Estado nacional.

A partir dos anos 1970, essa noção de patrimônio se alargou para abranger sítios urbanos, manifestações de outros períodos e origens culturais e para valorizar os espaços representativos da vida social e dos hábitos cotidianos da população. Em certas situações, esses podem ser mais relevantes que monumentos de valor arquitetônico.

Valorizando o contexto urbano e edifícios utilizados pela população, essa visão reserva à comunidade um papel ativo na identificação do patrimônio. O tombamento do cine Belas Artes está respaldado no Plano Diretor Estratégico (PDE), do qual fui relator e redator do substitutivo na Câmara Municipal de São Paulo (lei nº 13.540/ 2002). O PDE incorporou integralmente essa visão contemporânea de patrimônio.

Uma das diretrizes do seu capítulo de política de patrimônio histórico e cultural é "a preservação da identidade dos bairros, valorizando as características de sua história, sociedade e cultura" (artigo 89, inciso III); uma das ações propostas é a de "incentivar a participação e a gestão da comunidade na pesquisa, identificação, preservação e promoção do patrimônio histórico, cultural, ambiental e arqueológico" (artigo 90, inciso VII).

De modo coerente com o PDE, parcela relevante da comunidade paulistana identificou um bem que faz parte da identidade de um bairro, que é característico da história e da cultura da cidade, e se mobiliza para garantir sua preservação.

Não é uma questão nova: em 2003, ocorreu uma grande comoção, que impediu o fechamento do Belas Artes e do antigo Cinearte (atual cine Livraria Cultura). Como parte daquela luta, propus uma lei que permite aos cinemas de rua o pagamento do IPTU e do ISS com ingressos, a serem utilizados pela prefeitura em programas de inclusão cultural.

Aprovada a lei e passado o sufoco, erramos ao não propor proteção legal permanente para os cinemas.

Agora, não temos tempo a perder; em poucos dias, o Belas Artes poderá ser uma ruína. A Associação Paulista de Cineastas já pediu o tombamento, pedido que eu reforço por meio deste artigo.

O Departamento de Patrimônio Histórico deve elaborar um parecer técnico e o Compresp (conselho municipal do patrimônio histórico) deve convocar reunião extraordinária, antes do final de janeiro, para aprovar o tombamento e não deixar que essa nova catástrofe ocorra em São Paulo.


NABIL BONDUKI é arquiteto, professor de planejamento urbano na FAU-USP e primeiro suplente de vereador da bancada do Partido dos Trabalhadores na cidade de São Paulo. Foi vereador de São Paulo pelo PT (2001-2004) e relator do Plano Diretor Estratégico na Câmara Municipal.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

NESTE SÁBADO - 18/12 - 15H - CINE BIJOU



O PROJETO CINE BIJOU CINEMA E MEMÓRIA CONVIDA A TOD@S

PARA A ÚLTIMA SESSÃO DO ANO

SÁBADO 18/12 - 15 H

EXIBIÇÃO DOS DOCUMENTÁRIOS


LOTEAMENTOS CLANDESTINOS (1979)
DE ERMÍNIA MARICATO

No final dos anos 70, uma série de bairros periféricos de São Paulo se defrontam com diversas práticas de especulação imobiliária, e contra elas se organizam para resistir e lutar por seus direitos.

E

PERIFERIA LUTA (2009)
PASSA PALAVRA, CMI E VOZES DA TRINCHEIRA
Na periferia de São Paulo nos anos 2010 diversas comunidades sofrem os abusos promovidos pelo Estado associado a grandes empresas. O vídeo denuncia situações trágicas, enchentes e despejos em massa, e mostra a luta nessas quebradas.

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RODA DE CONVERSA COM PARTICIPANTES

TEATRO STUDIO 184
PÇA ROOSEVELT, 184 - CENTRO

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Domingo - 28/11 - 19h30 - Diário do Cidadão - Elifas Andreato - Teatro Studio 184

SÁBADO 27/11 - TEM CINE BIJOU - 15H - O ENCOURAÇADO POTEMKIN, DE SERGEI EISENSTEIN




O CINE BIJOU CINEMA E MEMÓRIA
EXIBIRÁ NESTE SÁBADO, 27/11, AS 15H, O FILME

"O ENCOURAÇADO POTEMKIN" DE SERGEI EISENSTEIN (1925)

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INTERVENÇÃO TEATRAL
"PROJETO LITERATURA VIA LESTE"
DA CIA. INSURGENTE



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RODA DE CONVERSA COM OS PARTICIPANTES


SINOPSE DO FILME: Em junho de 1905 a Rússia é sacudida pela febre revolucionária. O encouraçado da frota do czar, "Príncipe Potemkin de Táurida", encontra-
se fundiado em frente ao porto de Odessa. Vakulinchuk e Matuchenko, dois marinheiros da tripulação, membros do movimento revolucionário clandestino, incitam seus companheiros a protestarem pela dureza com que são tratados pelos oficiais, pelas más condições de vida e aderem à revolução. O capitão Golikov ameaça castigar os rebeldes, mas sua guarda se nega a atirar nos marinheiros, os quais tomam o barco rapidamente. Vakulinchuk morre no motim, traído covardemente. O seu cadáver é levado ao porto e velado no cais, e a população de Odessa desfila em solidariedade diante do corpo do marinheiro e envia alimento aos rebeldes. Quando a bandeira vermelha é içada no encouraçado, o almirantado ordena que o exército resolva a situação, promovendo uma carnificina entre os cidadãos de Odessa que estavam no cais. Os amotinados respondem bombardeando a sede do almirantado, enquanto a esquadra czarista se dirige à Odessa para destruir o navio rebelde. LEIA MAIS EM: http://cultmovies.multiply.com/journal/item/35


SOBRE A INTERVENÇÃO TEATRAL: O Projeto Literatura via leste é realizado pela companhia insurgente, núcleo artístico da Cooperativa Paulista de Teatro e tem por objetivo a difusão da literatura e o estímulo à leitura através de ações que envolvem leituras dramatizadas, debates com o público, fornecimento de livros para equipamentos culturais e divulgação em escolas. Para essa iniciativa foram selecionadas quatro obras de autores representativos do leste europeu que foram fortemente influenciados pelo contexto histórico que vai do pós do guerra ao desmanche da cortina de ferro: O General do exército morto, do albanês Ismail Kadaré; A Insustentável leveza do ser, do tcheco Milan Kundera; Propaganda monumental, do russo Vladimir Voinovitch e A Exposição das rosas do húngaro Istvan Orkéni. Contemplado pelo ProaC - Programa de Ação Cultural do Governo de São Paulo em 2009, todas as ações do projeto previstas para ocorrerem até o mês de setembro de 2010 são oferecidas gratuitamente e divulgadas no Blog www.companhiainsurgente.blogspot.com



CINE BIJOU – CINEMA E MEMÓRIA
LOCAL: Teatro Studio 184, Pça Roosevelt, 184 – Centro

REALIZAÇÃO
a Ponte, Núcleo Memória, Teatro Studio 184 e Sarau da Ademar
APOIO: Programa VAI
CONTATOS: bijoucinememoria@gmail.com

terça-feira, 9 de novembro de 2010

PRÓXIMA SESSÃO DO CINE BIJOU - SÁBADO - 13/11/2010



O CINE BIJOU CINEMA E MEMÓRIA
EXIBIRÁ SÁBADO, 13/11, AS 15H O FILME

BRAÇOS CRUZADOS, MÁQUINAS PARADAS" DE ROBERTO GERVITZ E SERGIO TOLEDO (1979)

E O CURTA METRAGEM

"CURTA SARAUS" DE DAVI ALVES DA SILVA (2010)

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RODA DE CONVERSA COM OS PARTICIPANTES


CINE BIJOU – CINEMA E MEMÓRIA
LOCAL: Teatro Studio 184, Pça Roosevelt, 184 – Centro


SINOPSE
São Paulo, 1978. Três chapas disputam a direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, o maior da América Latina, com 300.000 associados, e presidido por um 'pelego', desde o golpe militar de 1964 . Em meio à eleições, eclodem as primeiras greves operárias que iriam mudar o país. “Braços Cruzados Máquinas Paradas' revela, em narrativa envolvente, como funciona a estrutura sindical brasileira, de inspiração fascista. É também o primeiro documentário de longa-metragem sobre as chamadas 'greves espontâneas', ocorridas em São Paulo, 10 anos após a decretação do AI-5. Tais greves, que culminaram em um amplo movimento social que traria de volta a democracia ao país, estão na base dos acontecimentos que levaram à eleição do primeiro presidente operário da América Latina.


TRAILER DO CURTA SARAUS

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

DIA 27 /11, 22hs - LANÇAMENTO DE “QUEM VIU, VIU” – VERSÃO POPULAR



DIA 27 /11, 22H - LANÇAMENTO OFICIAL DO CD “QUEM VIU, VIU” – VERSÃO POPULAR

AMeRICA SHOW - Estrada do M’BOI MIRIM , 1576 - em frente ao Banco do Brasil

show com

VERSÃO POPULAR

NSN

CIENTISTA MCS

POETA COVIDADO SÉRGIO VAZ

MANO BROWN - RACIONAIS MCS

apresentação - ADIELSON

discotecagem - DJS NEY e SERGINHO

VENDA DO CD “QUEM VIU, VIU” NO LOCAL

INGRESSOS ANTECIPADOS A 10 REAIS PODEM SER COMPRADOS:

no BAR DO ZE BATIDÃO - COOPERIFA

Rua Bartolomeu dos Santos, 797 – Chácara Santana

na LOJA CÚPULA NEGREDO

Rua Adoasto de Godói - continuaçao da Av. Sabin

na SUB SOLO HIP HOP WEAR

Av. São João, 439 - loja 6

Mais informações:

HTTP://www.versaopopular.blogspot.com (Blog do Versão)

HTTP://www.myspace.com/grupoversaopopular (Myspace do Versão)

HTTP://www.colecionadordepedras1.blogspot.com (Blog do Sérgio Vaz – Cooperifa)


http://www.youtube.com/watch?v=pyxrHF2etPU&feature=player_embedded

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

SÁBADO - 16/10 - CINE BIJOU EXIBE "SEGUNDA FEIRA AO SOL" DE FERNANDO LEÓN DE ARANOA



O CINE BIJOU CINEMA E MEMÓRIA
EXIBIRÁ SÁBADO, 16/10, AS 15H O FILME


SEGUNDA FEIRA AO SOL" DE FERNANDO LEÓN DE ARANOA (2002)

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RODA DE CONVERSA COM OS PARTICIPANTES


CINE BIJOU – CINEMA E MEMÓRIA
LOCAL: Teatro Studio 184, Pça Roosevelt, 184 – Centro


SINOPSE
Uma cidade costeira no norte da Espanha sofre com seu isolamento quando seus estaleiros começam a ser fechados, deixando vários trabalhadores desempregados à mercê de pequenas ocupações temporárias. Entre eles está Santa (Javier Bardem), um machão rebelde e auto-suficiente que se recusa a admitir o fracasso. Mas a verdade é que ele e seus companheiros, dos quais ele se torna uma espécie de líder, são perdedores completos, mergulhados no alcoolismo e em crises familiares.

EIXO TEMÁTICO

O desenvolvimento da mundialização do capital e do capitalismo global, a partir da década de 1980, implicou numa nova divisão internacional do trabalho, com impacto significativos em alguns setores industriais nos países capitalistas do Primeiro Mundo, como, por exemplo, Espanha e Reino Unido. Ocorreu um agudo processo de desindustrialização e de reconversão produtiva que atingiu o mundo do trabalho, contribuindo para o aumento significativo do desemprego em massa e do desemprego de longa duração e da precarização do trabalho. Surgiram formas agudas de estranhamento da força de trabalho em virtude da sua desvalorização como mercadoria. Um grande contingente de ex-operários foram obrigados a buscar inserções precárias no mercado de trabalho no setor de serviços em expansão. Enfim, eles foram vítimas da globalização do capital e das mutações do capitalismo global, marcado pela financeirização exarcebada e pela constituição da sociedade em rede. Nessa nova etapa de desenvolvimento do sistema munbdial do capital se engendra uma nova dinâmica social caracterizada pelo sócio-metabolismo da barbarie, isto é, pela aguda dessocialização de amplos contingentes da sociedade do trabalho estranhado.




REALIZAÇÃO
a Ponte, Núcleo Memória, Teatro Studio 184 e Sarau da Ademar
APOIO: Programa VAI
CONTATOS: bijoucinememoria@gmail.com